Uma enciclopédia é, tipicamente, hipertexto. Ninguém lê uma enciclopédia linear ou sequencialmente. A gente vai direto ao assunto em que está interessado. Isso significa que a enciclopédia não tem, portanto, ponto de entrada fixo pois, ninguém começa a ler uma enciclopédia no primeiro verbete iniciado com a letra "a". Tampouco termina de lê-la no último verbete da letra "z" -- o que significa que ela também não tem ponto de saída fixo. A enciclopédia também não tem uma organização hierárquica pré-definida, seja por assuntos, seja qualquer outra. Se eu sou filósofo, posso procurar na enciclopédia, primeiro, o verbete "filosofia", depois "lógica", depois "epistemologia", depois "metafísica", depois "ética", etc., mas a organização hierárquica, no caso, é construção minha e não da enciclopédia: ela só classifica os verbetes em ordem alfabética e coloca, dentro de cada verbete, referências cruzadas a outros verbetes considerados relevantes. Se eu for atrás dessas referências, poderei encontrar outras, não necessariamente ao verbete original, de modo que a rede de referências cruzadas (links) é ilimitada, sempre passível de expansão.
O hipertexto é um dos paradigmas básicos em que a teia mundial se baseia. Ele é uma espécie de texto multidimensional em que numa página trechos de texto se intercalam com referências a outras páginas. Clicando com o ``mouse'' numa referência destas a página corrente é substituída pela página referenciada. É muito fácil formar uma ideia grosseira do que é um hipertexto: basta pensar nas edições mais modernas da Enciclopédia Britânica que se constituem de uma mistura de informações com apontadores para outros trechos da própria enciclopédia.
O hipertexto é muito apropriado para a representação de informações no computador por dois motivos: permite subdividir um texto em trechos coerentes e relativamente curtos, facilitando a sua organização e compreensão; permite também fácil referência a outras partes do texto ou a outros textos, totalmente independentes, muitas vezes armazenados em locais distantes. Isto cria uma característica própria de leitura da informação que, após um curto processo de adaptação, passa a ser intuitivo para o usuário, que se refere a esta leitura como ‘navegação''.
Imre Simon
Wed Jul 16 16:46:01 EST 1997
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